Muito Além da Capital.
Informações Básicas
Coletânea de rock alternativo em conjunto com a revista
"Pandemônio". Iniciativa dos selos musicais "Cosmoplano Records" e "Lixo Records", com a produtora cultural Giordana Moreira. O intuito do projeto é oferecer maior espaço para a expressão artística da baixada do Rio de Janeiro. Todas os artistas que compõem o EP são do RJ. Sendo elas: a Santa Rosa e a Ventilador de Teto (Valente Records), a famosa gorduratrans (Balaclava Records), o músico Hollywood Mantra (Lixo Records) e a DEF (que era da Bichano, agora não consegui achar o selo deles, mas deve ser Cosmoplano). O projeto faz parte do programa Territórios Culturais RJ/Favela Criativa e foi lançado em 13 de janeiro de 2018, inaugurando os lançamentos do ano.
Pra quem gosta de:
- máquinas, Tom Gangue, Quasar, Ludovic, eliminadorzinho, Não Ao Futebol Moderno, SLSD...
O EP começa com a faixa demo
"Alarmes de Incêndio", da banda DEF. É uma faixa em que o instrumental me lembrou bastante Ludovic, interpretei a letra como se houvesse um incêndio interno no eu lírico da canção e ele estivesse fora do controle procurando um extintor para enfim... voltar ao estado natural e apagar os vestígios alheios enquanto a cidade inteira escuta os alarmes de incêndio. É um rock enérgico, o vocal e a bateria se destacam na canção enquanto a guitarra vai levando e possuíndo o ouvinte até seu final explosivo. Em seguida, uma canção chamada
"Hipster", da banda Ventilador de Teto. Essa faixa já foi lançada anteriormente em seu EP de estréia denominado "Desejo/Sufoco" (no qual eu recomendo). Ela tem um vocal arrastado, começa com uma guitarra calminha e depois vem uma bateria meio eletrônica deixando a música com um aspecto mais autointituladamente falando "hipster 80's", o que faz jus ao título. A letra é ponto de vista de um hipster moderno, ou a pessoa que se acha hipster e inveja as outras pessoas, quer ser como as outras pessoas. A música se acaba num ambiente sombrio, com umas vozes de apoio fantasmagóricas e tal. É uma música no geral lenta, seria bem melhor a banda colocasse "Nu", que é do mesmo EP, mas, independente das escolhas, faixa que segue. A próxima faixa é a inédita
"Dejavu", do artista iguaçuano Hollywood Mantra. É uma música suave, bem intimista, com uma letra amorosa e carinhosa. Seu instrumental é dividido entre as batidas eletrônicas e as guitarras sobrepostas, criando um clima bem pacífico para a canção, que termina rapidamente, te despertando de um estado de calma. Seguindo, tem a faixa
"Chuva", da banda Santa Rosa, que é o primeiro single da banda que lançará seu primeiro disco nesse ano. O ambiental da canção me lembrou bandas como Não Ao Futebol do Moderno, SLSD, Boy Pablo, Ceramic Animal. Tem um estilo oitentista/suave/vaporwave que eu amo. A amorosa letra conta um desejo pessoal do eu lírico da canção: um dia de chuva, com sua amada em seus braços, sem nada para atrapalhar e tudo para curtir. O EP se encerra com a faixa inédita
"Velho", da poderosa gorduratrans. Ela ainda carrega fortemente a essência melancólica do "Paroxísmos", seu último disco. Nela, podemos ver claramente uma profunda influência da banda "máquinas", mais precisamente a faixa "Heitor", do disco "Lado Turvo, Lugares Inquietos". Onde a bateria é exatamente idêntica nas duas canções. E apesar disso, não é a primeira vez em que o gordura aspira a essência do máquinas, já que "Linha Tênue" tem uma visível inspiração em "Zolpidem". As duas bandas se conhecem, já fizeram shows juntos, então é daí que vemos uma maior aproximação. A música é um spoken-word, algo que me surpreendeu no momento em que eu ouvi a canção pela primeira vez. O instrumental é bem trabalhado, com pontos quase explosivos, o que gera uma certa ansiedade no final da canção. Que se encerra naturalmente.
Opinião do Autor
Essa coletânea veio surpreendentemente revelando nomes talentosos e expandindo mais o cenário cultural da baixada carioca. A ideia de ter um projeto cultural, ao mesmo tempo bem alternativo, apoiado pela Light, pela Secretaria de Cultura do Estado e tal, é algo sério mas ao mesmo tempo, que nunca passou pelas nossas cabeças, isso demonstra o quão as bandas independentes estão tomando cada vez mais espaços, ganhando cada vez mais reconhecimento, críticas de um lado, apoios do outro, ao mesmo tempo, mais bandas surgindo, mais ideias, mais opiniões, um grande passo em um país em que nós vemos decadências musicais fazendo sucesso com seus lixos nas mídias e bandas com uma proposta totalmente diferente, chamativa, não-apelativa, que vivem em um pequeno formigueiro rodeado de ostracismo. Que minhas palavras se conservem para daqui a 5-10-15 anos, quando quem sabe, o cenário musical no país realmente enxergará a boa música.
Recomendo as faixas: Alarmes de Incêndio, Chuva e Velho
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