repertório infindável de dolorosas piadas.
Informações Básicas
Gravado e produzido no inverno de 2015 pela banda carioca "gorduratrans" (com a participação de Márcio Soares, na parte da gravação das baterias) de forma caseira. Lançado em 27 de setembro de 2015, pela extinta Bichano Records. É um álbum de shoegaze e noise rock do caralho.
História da Banda
A "gorduratrans" foi formada em Junho de 2015, por Felipe Aguiar (guitarrista e vocalista) e Luiz Felipe Marinho (baterista e vocalista). Eles faziam parte de uma banda chamada Inventário, onde se conheceram, em 2011-2012. E chegaram a lançar um EP, em abril de 2015, que você pode conferir aqui, mas logo depois do lançamento desse EP, eles saíram da banda, por uma "imcompatibilidade de ideias". O que faz sentido, já que esse EP não tem nada a ver com o som da gordura atual (mas não tô falando que é ruim não, galera. Confere lá que o bagulho é psicodélico). O nome foi criado antes da banda ser criado, com o propósito de ser algo fora do padrão, que causasse estranheza, e por falar em nome, o nome desse primeiro disco vem de um trecho da música "Nas Suas Palavras", da banda Ludovic, presente no disco "Idioma Morto", lançado em 2006, ele é uma grande influência para a "galera" da gorduratrans.
Capa
A capa e a contracapa foram feitas pela amiga da dupla, a Nathalia Rocha, e é ela a "mulher galáxia" na foto. Em uma entrevista, a gorduratrans fala sobre a capa: "Já havíamos pensado em fazer algo relacionado ao espaço e tivemos a ideia de transformá-la em anônima, trocando o rosto por um recorte de constelações.Acho que interpretar o significado da imagem depende da subjetividade de cada um. Não gostaríamos de restringir a interpretação das pessoas, então acho que isso pode ficar em aberto. A ideia é ouvir o disco, olhar pra imagem, e tentar perceber o que essa combinação desperta".
Pra quem gosta de:
- Lupe de Lupe, Ludovic, Ride, My Blood Valentine, Los Hermanos, Dinosaur Jr., J. Mascis e Yuck.
Faixa a Faixa
O disco do duo abre com a faixa ""confusão", com um começo bem espacial, uma guitarra calma, que dá lugar para uma bateria amigável, e depois explode em pratos sujos e raivosos, que dá lugar pra uma guitarra calma e enfim, a letra, que fala sobre confusões mentais entre dois indiferentes. A faixa encerra de maneira explosiva e impossível de não se sentir levado pela explosão final de Confusão, gritado pelo guitarista. (CONFUSAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA). A segunda faixa é intercalada diretamente com a primeira, "sozinho e babaca" é um tapa na cara sonoro, uma música raivosa, barulhenta, suja, mostrando uma verdadeira banda de garagem agindo sem nenhum pudor. Apesar de ser uma música curta, ela te golpeia a cada verso. A terceira música é a já conhecida entre o público, "você não sabe quantas horas eu passei olhando pra você" é uma música que vicia, a letra é uma clara e belíssima declaração de amor de um apaixonado depressivo pra garota de seus sonhos. A guitarra nessa música é foda, e o solo entre o meio e a última parte então... <3 .="" a="" b="" faixa="" pr="" xima="">"silêncio ensurdecedor" é3> um shoegaze de ouvir no último volume, porrada atrás de porrada, a letra fala sobre ser rejeitado sem nenhum motivo, ou por motivos bestas e o sentimento de raiva por isso. Destaque pra excelente bateria comandada por Luiz Felipe. No final da música tem um sample de Thurston Moore (vocalista do Sonic Youth, referência para a banda) retirado de um trecho do filme "1991: The Year Punk Broke". O disco segue com uma faixa instrumental. "hércules quasímodo" é um punk rock excelente para o estilo banda de garagem que a gorduratrans mantém nesse disco. Destaque para os gritos caóticos de Felipe Aguiar no meio da música. A próxima música é aquela música cartão de visita, quando alguém te perguntar o que é a gorduratrans?, você coloca essa música pra pessoa conhecer, antes de qualquer música do disco. "vcnvqnd" (ou "você não vê que não dá") tem tudo pra ser um sucesso da banda, o refrão é chiclete, a letra tem suas partes gritantes, fala sobre um impacto no relacionamento, é uma faixa simpática e é perfeita para ser performada ao vivo. O disco encerra com a faixa "artes", a faixa mais calma do disco, pois ela não contém a presença da bateria, só de uma guitarra base, desafinada e guiada pelos versos singelos da música, a faixa fala sobre um pessoa que procura entender a outra e acaba decorando todas as partes do corpo dessa pessoa. Gorduratrans em 7 faixas prova que não, o rock brasileiro não está morto. E sua salvação está no lado independente.
Opinião do Autor
Confesso que fiquei muito ansioso na hora de escrever essa resenha. Eu conheci o trabalho da banda em 2016, e, desde já, a gorduratrans realmente abriu minha mente. Se não fosse ela eu não iria conhecer "Lupe", "máquinas", "enema noise", "Jonathan Tadeu", "El Toro Fuerte"... nenhuma dessas bandas. O disco em si, perdi as contas de quantas vezes eu já o ouvi na íntegra e nunca me enjoei. Recomendo as faixas "Confusão", "Você Não Sabe...", "Hércules Quasímodo" e "Vcnvqnd" pra quem quiser. E ouçam o segundo disco dos caras, o Paroxísmos, que eles lançaram ano passado. O estilo diversificou um pouco, mas continua sendo foda.
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