RESENHA - "Lá Vem A Morte" - Boogarins

Lá Vem A Morte

Informações Básicas

Gravado e produzido pela banda goiânia "Boogarins" entre o fim de 2016 e o começo de 2017. Lançado em 07 de junho de 2017, pelo selo OAR. ​Ele é um disco de rock psicodélico, pop psicodélico e experimental. (É o disco mais experimental do disco)
Da amizade de Benke (guitarrista) e Dinho (guitarrista), nasceu o Boogarins, em 2012. Em casa, de maneira bem lo-fi, eles, acompanhados de Raphael Vaz (baixista) e Hans Castro (baterista), gravam o primeiro registro. As Plantas Que Curam era um EP, que logo virou CD, logo após a banda chamar atenção da gravadora Other Music que assinou com o quarteto, em 2013. Após isso, eles começam a fazer um digno sucesso, mais lá fora do que no próprio Brasil. Fazem inúmeros shows não só aqui como em Barcelona, Chile, EUA... Em 2015, lançam o segundo disco. Manual (ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos) foi altamente aclamado pela crítica, é um registro absurdo de incrível e mostra a genial evolução da banda em apenas 3 anos de carreira. Durante esse período, sai o Hans e entra o Ynaiã, assumindo as baquetas. No final de 2016, eles lançam o single "Elogio A Instituição do Cinismo", dando um gosto de como seria seu próximo trabalho. E bem... 2017, foi um ano e tanto para a banda. Em fevereiro, eles lançam um EP ao vivo chamado "Desvio Onírico", contendo longas faixas gravadas em diversos shows internacionais. Em maio, eles lançam o single de A Pattern Repeated On (versão em inglês de "Foimal", o clipe é excelente). Em junho, eles lançam de surpresa, seu terceiro disco. "Lá Vem A Morte". Um disco conceitual, introspectivo, poético e rico nas influências experimentais.

Pra quem gosta de:

- Os Mutantes, Casa das Maquinas, Tame Impala, Jupiter Maçã, Clube da Esquina, Pond, J. Cole, Pink Floyd, Melody's Echo Chamber e Flying Lotus.
"Lá Vem A Morte pt. 1" introduz o disco de uma forma suave mas ao mesmo tempo bastante introspectivo. A introspecção é muito presente nesse conceito em geral. Parece que te acerta no fundo. “Eu amo vocês, eu só tô defendendo uma parada que é pra sempre minha e nunca mais volta”. Aí vemos uma mensagem quase que indecifrável, na minha concepção parecendo as últimas palavras do eu lírico. O que é até inteligente ao pensar que o disco começa já nas últimas palavras e enfim, o “presságio” da morte. A canção é lotada de tape-loops, o que torna ela mais experimental e um pouco obscura. A letra se repete nas outras duas partes, mas, apesar disso ela não perde a sua beleza. “Lá vem a morte, cheiro de dor. E se ela é forte, eu também sou. Meu corpo é o choque, pro seu valor. Pois trago os cortes, de um sonhador.” É uma letra curta, assim como grande parte do resto do disco. Mas ela é forte, sombria, me remetendo a o que Raul fez há mais de 40 anos atrás. O vocal do Dinho é um caso a parte, porque, ao mesmo tempo ela é suave e carrega um verdadeiro peso, que é a chegada da Morte. Logo em seguida, vem "Foimal". Essa é uma versão em português de “A Pattern Repeated On”. Não sei porque não colocaram essa versão em inglês, mas, vida que segue. Foimal é uma música calma, que tem como influências: Milton Nascimento (Amigo, Amiga. Ouçam que vocês entenderão), Flying Lotus, Toro Y Moy/Kool AD e Melody’s Ecco Chamber. A letra muda de um padrão repetitivo para um pedido de desculpas, que aí, se encaixa em uma DR ou um fim de um relacionamento. "Onda Negra" é uma das minhas favoritas, nela, o ouvinte é embalado pela voz do Dinho, que nessa música tem um tom de eco, meio crescente, e assim, ela te envolve. A letra aborda a sensação de ser atingido pela onda negra, que são o temor de lembrar daquela pessoa em específico e com isso os pesadelos e enfim. Aqui vemos um apelo forte pro sentimental do ouvinte. A música em si é bem psicodélica, galática, viajante e tal, abusa dos efeitos eletrônicos como o resto do disco. É um grito preso. Em seguida vem "Poluição Noturna" o título é auto explicativo. A música parece ser uma continuação de Onda Negra. Mas quem canta essa música é o Fefel (Rafael). A letra fala sobre um triste caso de Polução Noturna. O final da música é instrumental e é bem experimental, brinca com os vocais e tal. "Lá Vem A Morte pt. 2" vem intercalada como um susto, sendo a segunda parte da "Lá Vem A Morte". Se a primeira parte era bem suave, a segunda é bem mais experimental. Também contendo muitos tape-loops. O objetivo da faixa parece ser um aviso de que a morte está chegando, ou estamos chegando no final do disco, sei lá. É uma faixa curta porém bem introspectiva assim como a primeira. "Corredor Polonês" é uma canção de letra bem curta. Parece ser um jogo de palavras, quase indecifrável, mas na minha concepção a letra fala sobre a consequência de seus próprios atos, ou seja, seus erros. O instrumental é belíssimo, com destaque ao lance de cordas no final da canção. Em seguida, vem a já lançada anteriormente "Elogio A Instituição do Cinismo". Essa nos pega de surpresa. Ela é a mais pop do álbum. É uma música incrivelmente dançante e efervescente. Ela chega a te envolver com as batidas eletrônicas, os sintetizadores, as sobreposições, a guitarra energizante e claro, a voz do Dinho que dança em meio a ambientação torta da faixa. A letra é uma crítica social política, que fala sobre a mentira. Encerrando o disco, "Lá Vem A Morte pt. 3" vem de surpresa, feito uma porrada. A terceira e última parte de Lá Vem A Morte parece ser uma junção das duas outras partes. A música é experimental e ao mesmo tempo suave e ao mesmo fantasmagórica e ao mesmo tempo psicodélica. Confirma a identidade do álbum. Contém a participação de Bonifrate, presente nos tape-loops. E com isso, encerra o disco assustadoramente e experimentalmente, com a chegada da Morte.

Opinião do Autor

Esse disco, junto com todo o seu conceito, serve pra mostrar de vez o crescimento e o amadurecimento da banda ao longo dos outros 2 discos. Vejo ele como um disco pra ser não só ouvido, como refletido. Ele carrega toda uma carga emocional que te atinge no momento em que você ouve a primeira faixa e não consegue parar, acaba saboreando o disco inteiro. As músicas são tão densas, profundas, reflexivas, que podemos simplesmente, transformar todo o álbum em um espetáculo teatral e chamá-lo de Vida.

Recomendo as faixas: Lá Vem A Morte pt. 1, Foimal, Onda Negra, Corredor Polonês, Elogio A Instituição do Cinismo e Lá Vem A Morte pt. 3



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