RESENHA - "Sal Grosso" - Lupe de Lupe

Sal Grosso


Informações Básicas

Gravado e produzido em 2012 pela banda mineira Lupe de Lupe (com participação de Pedro Cambraia). Lançado em 20 de agosto de 2012, pelo Popfuzz Records. É um disco de rock alternativo, noise, shoegaze e punk.
A Lupe de Lupe foi formada em 2009 por Vitor Brauer (guitarrista e vocalista), Renan Benini (baixista e vocalista), Cícero Nogueira (guitarrista e vocalista) e Daniel Cabral (baterista). Logo em 2010, começam a digerir seu primeiro trabalho com o lançamento do clipe das musicas “Para Viver Um Grande Amor” e “Escrava Isaura”. Em 2011, lançam “Recreio”, um EP de noise, shoegaze e punk experimental com um tom conceitual. No ano seguinte, lançam seu primeiro disco: Sal Grosso. Um disco punk, com belo uso de samples eletrônicos e com uma pegada semelhante do “Recreio”, falando sobre os sonhos, o tempo, as emoções, a nostalgia e a vida em MG. Além disso, o disco marca a mudança de Cícero da guitarra pra bateria, a saída de Daniel Cabral e a entrada do novo integrante, Gustavo Scholz.


Capa

A arte da capa é assinada por André Persechini e Arthur Scholz. E como todas as outras capas da Lupe, ela tem seu significado oculto, e ainda não descobri qual (fica no ar)
O disco começa com a faixa "Enquanto Pensa no Futuro", composta pelo novo guitarrista, Gustavo. Ela é uma música poética, contendo um vocal arrastado, sentimental, que é uma boa porta de entrada pra tudo o que vem pela frente nesse álbum. O legal nela é que a canção começa arrastada, acelera para um meio totalmente punk, depois desacelera e volta ao vocal arrastado do início. Achei bem semelhante ao final do "66" do O Terno. Em seguida vem "Tédio Bom", um punk rock dançante. A letra se mostra poética e a música em si é rápida, criando uma espécie de ponte entre as primeiras faixas do álbum. Depois disso, vem a faixa denominada "O Sorriso do Chet Bakter", uma faixa curtinha, calma, digamos, uma vinheta com duas guitarras e uma letra melódica cantada por Vitor Brauer. (É tão dificil decifrar a melodicidade presente nas letras não-ingênuas da Lupe). Logo após, vem uma das faixas mais elogiadas do disco, "As Vezes" foi lançada como um single em Fevereiro de 2012 e nela, se situa um tom de desculpa misturado com despedida. A letra é uma das mais belas da Lupe de Lupe, tem um apelo emocional e o seu instrumental se destaca pelas guitarras potentes. A música se encerra da maneira mais nostálgica possível, com um sample de abertura do anime "Yu Yu Hakusho: Hohoemi no Bakudan". É a Lupe mexendo com nossos sentimentos. Depois disso, vem a famosa faixa "Há Algo De Podre No Reino De Minas Gerais". Um protesto/desabafo sobre a cultura musical não só de Minas, como o resto do país. É uma canção forte, cheia de referências populares ocultas na letra, que encerra com "meu coração não é mediano e nem é mineiro / Mas talvez por sonhar demais / Meu coração seja Minas Gerais”. A próxima faixa é "Eu Nunca Fui Ninguém" tem a participação do Corpo de Baile, 9 guitarras de músicos que formam essa dádiva de Belo Horizonte. Os solos são feitos, em ordem, por JP Cardoso (Sexy Hipster Chicks), Jonathan Tadeu (Quase Coadjuvante), André Persechini (Cães do Cerrado), Tiago "Negão" Gomes (Quase Coadjuvante), Gustavo Scholz (Lupe de Lupe), Matheus Fleming (Câmera), Vitor Brauer (Lupe de Lupe), Pedro "Cido" Cambraia (Lumen) e Pedro "Pedrinho" Müller (Lumen). Essa faixa realmente vai ficar para a história, apesar de sua letra ser 99% instrumental, só tem uma parte gritada: "Eu Nunca Fui Ninguém". Em seguida, vem "Pavimento". Uma declaração de amor concreta. A música é amigável comparada as porradas anteriores, seu instrumental se mantém instável, e fecha com uma promessa do autor: "...Pois quem cola comigo, cola comigo, já nasceu fadado a não ganhar." Em seguida, vem "Alameda das Orquídeas". Particularmente, eu gosto desse nome, me remete a uma bela paisagem e tal. A letra é em primeira pessoa, como se fosse um poema sentimental. O vocal é arrastado, o instrumental é menos acelerado, é uma daquelas músicas que você ouve quando tá na bad, ou seja, é foda. "Pequena" vem em seguida, trazendo uma letra curta, que particularmente, fugiu das minhas expectativas. A letra é um recado para os que dizem "donos da verdade", tem um tom semelhante ao "Há Algo de Podre..." e é a mais pop do disco. A penúltima faixa é "O Que Falta", é uma faixa acústica, uma ponte entre as últimas faixas do disco. Possui apenas o vocal de Renan Benini acompanhado de uma guitarra acústica, a letra fala sobre amor e a música chega a assustar de tão calma e nem parece ser uma música da Lupe (o caso é semelhante com Paul McCartney e Yesterday, então quem sou eu para opinar, não é?). O disco encerra com chave de ouro, ou melhor, faixa de ouro. "17" começa com um sample eletrônico clássico de "Whatever's Fair" de Jerry Butler, usado na música "Travellin' Man", de Mos Def e Dj Honda que é cantado em coro no final da música junto com Leavin' On A Jet Plane. A letra retrata basicamente uma crise dos 17, onde você é adolescente e vive no seu mundo e tal. A letra tem um tom muito perceptível de saudades e as lembranças de momentos passados, por isso mesmo que eu me identifico muito com a canção, tanto que é a minha música favorita do álbum. O instrumental é bem pancada e o final contém um spoken-word do Vitor falando sobre a vida e a saudade. E assim, se encerra "Sal Grosso", um disco salgado, amargo, azedo e doce ao mesmo tempo. Múltiplos sabores e emoções em um único registro. Um verdadeiro albão da porra.

Opinião do Autor

A forma com que eles trabalharam esse disco foi realmente incrível cara, namoral. O disco apesar de ter essa sonoridade de garagem, independente, foi muito bem produzido. Cada música tem a sua personalidade e isso é um dos proveitos do disco. Recomendo as faixas: "Enquanto Pensa No Futuro", "Às Vezes", "Pavimento", ","Há Algo de Podre..." e "17". Recomendo também os outros discos da Lupe: "Distância", lançado em 2013 e "Quarup", disco duplo lançado em 2014. Infelizmente no início de 2016, a banda deu um hiato. Mas quem sabe um dia, esperamos um retorno confiante dos quatro rapazes de Belo Horizonte.


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