RESENHA - "Lado Turvo, Lugares Inquietos" - máquinas.

Lado Turvo, Lugares Inquietos

Informações Básicas

Gravado e produzido entre junho de 2015 e abril de 2016 pela banda cearense "máquinas" (com a participação de Igor Miná) no Mocker Studio. Lançado em 30 de maio de 2016, pela extinta Bichano Records. É um álbum de noise rock, post, rock alternativo e experimental.

De fortaleza, ceará, o maquinas surgiu em 2013, entre barulhos e ruídos de guitarras e baixo em ensaios, por allan dias e roberto borges, após diversas tentativas de bandas e outros projetos musicais. inspirado em diversos estilos como o shoegaze, noise-rock,slowcore, post-rock, mas sem se limitar às bordas já definidas desses gêneros , o maquinas lançou, de forma totalmente diy e lo-fi, em julho de 2014 seu primeiro material: o ep homônimo, no qual você pode conferir aqui. Resumindo esse EP, ele tem só três faixas, até semelhantes do estilo do "Lado Turvo". Após isso, em 11 de junho de 2015, eles lançam, pelo Bandcamp, a música "Zolpidem", que está presente no disco. Com novo integrante e novas influências, durante esse período eles começam a gravar seu primeiro disco. Em 17 de março de 2016, eles lançam a música "mal-agradecido", pelo Bandcamp. E, depois de 3 meses, é finalmente lançado o primeiro disco do "máquinas".

Pra quem gosta de:

- Diretamente da Obscuridade dos 90's: Unwound, Duster, Idaho e Chokebore. Sonic Youth, My Blood Valentine, Mogwai e Explosions In The Sky para completar.

O disco começa com "Quarto Mudo", nele, há a presença da melancolia constante, numa guitarra praticamente triste e com um vocal arrastado, que vai aumentando ao longo da canção e de repente, sumindo em meio de ruídos e sobreposições, dando espaço para a segunda faixa. A letra fala sobre a confissão de um protagonista tímido, como se aqueles versos estivessem presos na garganta, prontos para serem vomitados. É uma incrível faixa de abertura que te faz sentir realmente o que há por vir ainda no disco. "mal-agradecido" vem intercalado, com o mesmo clima e, dessa vez, trazendo um vocal falado (spoken word). A letra fala sobre uma pós-noitada, onde o protagonista se vê sozinho após sua parceira o deixar. A próxima faixa é a já lançada anteriormente "Zolpidem", que tem uma versátil manipulação de arranjos e vocais, e, apesar do título ser referência a um medicamento letárgico, ela é uma das melhores faixas e contem uma ferocidade artística que só a banda tem. Após isso vem "contramão" outra música do estilo "Spoken Word". Nela, a letra conta uma história de embriaguez na madrugada, coisa de boêmio, boêmio nato. (Com um claro tom de arrependimento), a música conta com uma participação de Saxofone, tocado por Gabriel de Souza, fazendo uma participação essencial que dá uma cara mais boêmia para a música. Seguindo, temos a quinta faixa, "drive by" é a faixa de maior duração do disco, 11 minutos e 50 segundos. Ela contém a ferocidade e a diversificação de Zolpidem, ao longo da música, ela passa pelos mantras melódicos, pelo Dub, até encerrar com um inacreditável tom de Reggae. O disco se encerra com "heitor", com sua introdução crescente de guitarras, ela trata sobre o fim de um relacionamento, uma desilusão amorosa, coisas da vida. O disco se encerra cinzento e letárgico. Mas é um triunfo enorme para a banda, que ainda conquista seu público pelo país.

Opinião do Autor

Esse disco faz parte da trilha sonora das minhas crises existenciais, recomendo as faixas "Zolpidem", "Heitor" e "Contramão" pra quem quiser ouvir um sadrock de verdade acompanhado de uma dose generalizada de uns três zolpidens.


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